Sim, eu estou bêbado. E você é linda. E amanhã de manhã, eu estarei sóbrio, mas você ainda será linda.

Os Sonhadores. 

São exatamente três da manhã. Você consegue acreditar que os dias estejam passando tão rápido? Ah, sei lá, nem eu. A hora se arrasta tanto, que olhar pro relógio correndo tão devagar me faz lembrar como era rápido quando eu tava contigo. Sei lá, Stubb, te escrever virou algo tão vazio. Vazio de você. O que antes era preenchido numa inundação de você, hoje da até eco. Eu achei que conhecia você, pelo menos um terço do que você me conhecia. Porque eu fui sim, Stubb, sem mascaras e transparente quando o assunto era você. Eu entrei de cabeça, eu fui 100% com você. Porque os outros só tiveram 50% de mim, a metade que eu escondi de todo mundo… Stubb, você sabia todinha. Eu sabia todos os seus tons de vozes. A cansada, pela manhã, quando me dava aquele “bom dia” com aquele ar de garotinho preguiçoso. E a voz baixa e cautelosa que tu tinha de madrugada. Você disse, Stubb, com todos os adjetivos e todas as letras, que eu não precisava me preocupar. E quando você me dava “boa noite” e eu falava “você vai estar aqui?” E você só dizia pra te gritar qualquer coisa. Você foi sim, sempre vai ser, um completo babaca. Você foi sim, e sempre vai ser, o auge da minha vida. E sempre vai ocupar o lugar de “o cara que me fez acordar pra vida”. É claro que um de nós teria que ir embora alguma hora. Porque é claro que burradas, são pra serem descobertas e não perdoadas. Eu tive medo de perder você por uma vida inteira, e não tive você nem por uma noite. Ou por uma manhã. A verdade, Stubb, é que você me encontrou e eu perdi você. Perdi entre aspas, porque você nunca foi algo de verdade. Algo que eu pudesse dizer que fugiu pelos meus dedos quando eu fechei a mão pra guardar você. Eu te agarrei pelo braço, eu cravei a unha em você pra ver se eu conseguia te marcar pelo menos um pouquinho. Pra ver se amanhã você ia me ligar pra dizer “isso tá roxo, não vai sair”. Você não ligou. Eu nunca mais tive coragem de tocar no seu braço esquerdo, porque você é todo meu ponto fraco. Eu quis te ligar, mas você faz tudo errado. Eu precisava ser o lado certo, e eu seria errada assim como você se eu te ligasse. Porque o erro, na verdade, é você. Eu poderia mesmo apontar e gritar todos os seus erros. Jogar na sua cara como uma caixa que guarda coisas que foram importantes uma vez, mas olhando bem de pertinho, nem importam mais. Mas eu gostava mesmo quando você passava a mão no meu cabelo. Com tua barba de homem, e tom de voz de menino. Você se fez de homem maduro, que nunca sorri e só faz piadas sem graças, quando na verdade era um menino. Com inho no final. A verdade nisso tudo, é que você me conhece do avesso. E eu só conheço seu numero de camisa, pela que você deixou comigo. Afirmando com todos os dentes que eu tinha que ter seu cheiro pelo menos um pouquinho, porque você já era meu cheiro completamente. Você me encontrou, lembra? E eu soube de imediato que você era a peça que eu tinha perdido entre as almofadas, a peça do meu quebra-cabeça. Eu descobri que o que faltava era você. Um completo idiota que não se encaixa em nada. E você tá cada vez mais perdido, e distante. O problema é que você foi uma mentira tão grande, tão bagunçada, que me lembrou aquelas bolas de neve que ficam presas na porta que não te deixam sair. Você, até hoje, é a bola bagunçada que não me deixa sair. É aquilo que me arrasta pro que eu mais odeio e pro que eu mais peço distância. Você é, foi, sempre vai ser a mentira mais ridícula do mundo. Mas o telefone fica no peito, aguardando qualquer um tom de voz seu do outro lado da linha. Porque são 3 da manhã, e a rotina que eu tinha de você, são os ponteiros do relógio. Era toda hora, todo minuto, todo segundo. Se me perguntarem agora, se eu te quero de volta, a resposta é não. Quem ia querer alguém como tu na vida de novo? Mas se me perguntarem agora, se eu preciso de você de volta… Eu esqueço a fantasia de mulher madura, eu boto a fantasia na caixa. E eu viro de novo, aquela menininha, que eu só fui com você. Porque as 3 da manhã, Stubb, a falta que você faz é doentia. Porque, as 3 da manhã, Stubb, eu sou mais coração do que razão. Mais menina, do que mulher. Porque o relógio me assombra toda vez que toca o “tic” e a sua respiração preguiçosa não faz mais parte da decoração da minha cama. Mas isso a gente deixa escondido, porque junto com essa bagunça, eu entendi que você sempre vai ser um enigma. E eu já não sei se te falei, mas eu sou péssima como adivinho. E o problema de você ser um enigma, é quando eu procuro um bom filme pra ver, eu sempre escolho o de “mistério”. Algo que tu sempre disse que eu era, mas a verdade, é que eu sou só teimosa. Que teima em tentar, de algum modo impossível, resolver você. (Sempre fui otimista, mas dessa vez até eu sei que não vai dar certo, pra você ver como isso, não tem jeito de jeito nenhum). Mas ainda assim, quando acordo as três com essa insônia ridícula, ainda é você quem eu tento alcançar na cama. E, consequentemente, ainda é você que eu não encontro.

robin and stubb.

Mais uma história com final, mais um coração partido.

Fresno.
safadeza faz bem